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resenhas recentes

Gabriel Olegário sobre Frankenstein
Escolhi esse livro pela lombada. Verde, arredondada, ali na estante, num momento em que eu só queria ler pra baixar a ansiedade. Terminei com o mesmo vazio da Metamorfose e uma pergunta que não me largou: o quanto eu me enxergo no monólogo desse monstro? Frankenstein é horror, talvez a primeira ficção científica, mas não é body horror. É horror social. A primeira rejeição da criatura acontece no segundo em que ela nasce: não falava, não se movia, apenas existia, e já foi sentenciada. A rejeição não foi moral, foi estética. Nem houve julgamento, só houve olhar. Eu, enquanto homem negro, conheço esse olhar. E a criatura tinha força pra revidar em Felix De Lacey, e não revidou. Não queria dominação, queria aceitação. A violência que vem depois não é natureza, é o que sobra quando nenhuma forma de existir é tolerada. "Eu era benevolente e bom, a miséria me tornou um monstro." Talvez a pergunta honesta não seja se é errado se enxergar num monstro. Seja: quais rejeições, quais olhares, quais silêncios foram se acumulando até que aquela lombada verde fizesse tanto sentido? Mary Shelley escreveu isso aos dezoito anos.
16 de julho
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O que está aberto na mesa de alguém agora, sem nome e sem número: ou a capa te chama, ou não te chama.



























