Maus
Maus é um graphic novel do cartunista norte-americano Art Spiegelman, serializado de 1980 a 1991. O quadrinho retrata Spiegelman entrevistando seu pai acerca das experiências deste enquanto um judeu polonês e sobrevivente do Holocausto. A obra utiliza técnicas pós-modernistas e representa judeus como ratos, alemães como gatos, e poloneses como porcos. Críticos classificaram Maus como livro de memórias, biografia, história, ficção, autobiografia e uma mistura de gêneros. Em 1992, tornou-se o primeiro graphic novel a ganhar o prêmio Pulitzer.
da Wikipédia
- editora
- Quadrinhos na Cia
- ano da obra
- 2005
- ano da edição
- 2005
- formato
- outro
- páginas
- 296
2 leramem 2 estantes2 gostaram ou adoraram6º dos queridinhos
1 resenha
Terminei Maus e ainda estou meio sem chão. Tem obra que você não consegue avaliar de fora, e essa é uma delas. É como tentar dar nota pro diário de Anne Frank: qualquer crítica impessoal soa injusta diante do que está ali. Então vou pelo que senti. E o que senti foi gratidão por esse livro existir. O acerto do Spiegelman foi a mídia. Escolher o quadrinho pra falar do Holocausto parece contraintuitivo, quase leviano, e é por isso mesmo que funciona. Os judeus são ratos, os nazistas são gatos, e nessa fábula de aparência ingênua a barbárie fica mais nítida do que em muito relato realista. A gente normaliza o horror quando ele vira número e data. O desenho devolve o rosto. Mas o que me pegou de verdade não foi só a guerra. Foi o presente do livro: o Art tentando arrancar a história do pai, e o Vladek tentando só viver a vida dele, mexer nas coisinhas dele, economizar até o último centavo. O Vladek é difícil. É sovina, é racista numa cena que dói justamente por vir de quem sobreviveu ao ódio racial, vive numa lógica de escassez que sufoca quem está por perto. A Mala, a segunda esposa, mal aguenta. Só que o livro não te deixa julgar em paz: cada defeito dele é cicatriz. A mesquinhez de quem passou fome não é a mesma de quem nunca passou. O ponto mais fino é o da culpa cruzada. O Art não alcança a dimensão do que o pai viveu, e por isso implica, se irrita, se afasta. Mas quem não larga o Holocausto é o filho. Quem quer virar a página é o sobrevivente. Tem uma hora em que o Vladek praticamente diz que cada pergunta o transporta de volta pra lá. E fica a questão que o livro não resolve: como registrar a dor de alguém sem obrigá-lo a sofrê-la de novo? Não sei se tenho o direito de dizer se é bom. Sei que é necessário. Dessas leituras que reorganizam alguma coisa em você.
15 de agosto de 2026
1
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autor

Art Spiegelman
cartunista sueco-americano
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